Em 03 de novembro de 2012, o Projeto Circuito Tambor visitou região estuarina de Cananéia (25°5 - 48°W) para estudo de fenômeno denomina Bombeamento de Maré.
A analise foi feita apenas em superfície mas foi alcançado resultados que comprovam as observações dos antigos Navegantes de Tambor além do grupo científico: Sadako Yadoya MIYAO & Joseph HARARI / 1989.
A expressão usada por alguns pescadores da região de que a maré de quarto pode subir e descer sete vezes ao dia o que foge as regras científicas já amplamente divulgadas de que a maré sobre apenas duas vezes ao dia, entretanto o fenômeno estudado (Bombeamento de Maré) neste local aumenta seus efeitos e pode gerar um delírio oriundo de água residual do Mar do Porto Cubatão que continua alimentando o Mar de Cananéia retardando a baixa maré no local. Em dias de muita chuva este delírio pode vir a aumentar devido a contribuição afunilada de água doce. Os “antigos navegantes Tambor” de alguma forma, através de observações por gerações sabiam disso e usavam o fenômeno para facilitar a navegação e encurralar pescado em uma corrente que podemos chamar de corrente fantasma (algo que não deveria estar lá, mas está). O evento tanto é comprovado que no exato momento do início do bombeamento um grande grupo de botos, gaivotas, biguás e outras aves marinhas, além de pequenas embarcações de pescadores artesanais, quase como se tivessem marcado um encontro se encontraram no local. (vide mapa do Circuito Tambor: novembro a abril pesca com redes estaqueadas e janeiro a abril peca com linha no local)
Não possuímos marégrafos e demorou para achar uma forma de transformar este fenômeno em algo visível sem agressão ao meio ambiente, portanto decidimos por usar laranjas (frutas compradas em Pariquera no caminho a área de Estudo).
Usando apenas embarcações com propulsão humana (canoas caiçaras) chegamos até a saída sul do canal do Porto Cubatão e com laranjas fizemos uma esteira flutuantes de frutas amarelas para conhecer o comportamento do Mar na virada da Maré. Por algum tempo o cinturão de frutas flutuava e manteve uma linha reta e depois um arco perfeito , mas após alguns minutos algumas frutas no meio do cinturão se distanciaram da formação no sentido da Trincheira, portanto enquanto a Maré iniciava sua enchente constatou-se uma nítida e forte corrente contrária, Corrente esta que como descrevem MIYAO & HARARI, amortiza a onda de enchente.
Além do valor cultural, é muito importante usar o fenômeno como elemento presente para tomadas decisões industriais ou urbanas, pois neste caso há pontos favoráveis e desfavoráveis e um dos desfavoráveis é o potencial para a região do Mar de Cubatão não ter uma plena troca de água marinha, ou que pode dificultar a proteção da vida local em caso de descarga de contaminantes, esgoto e outros resíduos neste ponto de Cananéia.
Estamos de Olho e aprendendo por observação.
Eduardo Manoel
https://www.facebook.com/eduardomanoel.santananeto
Arquiteto e Urbanista
Projeto Circuito Tambor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário